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Relatório aponta como Gerações Z e Alpha estão redefinindo o futuro da moda

40% dos gastos em moda na próxima década virão da Geração Z e Alpha.

O “Future of Fashion Report”, desenvolvido em parceria entre a WWD e o Boston Consulting Group (BCG), foi apresentado em 28 de outubro de 2025, durante o WWD Apparel and Retail Summit. O estudo busca entender como as Gerações Z e Alpha estão transformando a indústria da moda, com base em uma ampla pesquisa com mais de 9 mil consumidores e na análise de 50 mil publicações em redes sociais. O relatório também reúne opiniões de grandes nomes do setor, como executivos da Tapestry Inc., Ralph Lauren Corp., Golden Goose e Kallmeyer, evidenciando uma profunda mudança nas preferências dos consumidores e nas estratégias das marcas.

Segundo o documento, a moda vive uma inversão de papéis: as gerações mais jovens deixaram de seguir tendências para ditá-las. Estima-se que, na próxima década, 40% dos gastos globais em moda virão desses públicos — o que exige que as marcas se reinventem. Apesar de contarem com orçamentos mais limitados, esses consumidores valorizam autenticidade, autoexpressão e validação social, buscando peças que comuniquem sucesso e identidade, sem precisar pagar preços exorbitantes. O estudo recomenda que as marcas estimulem a co-criação, permitindo que os próprios consumidores participem da construção da identidade da marca.

Outro ponto-chave é a mudança nos critérios de valor. Elementos tradicionais como “herança” e “história da marca” estão cedendo espaço à cultura jovem, impulsionada pela velocidade das tendências nas redes sociais. Marcas que não acompanham esse ritmo em tempo real correm o risco de perder relevância. O relatório sugere que as empresas integrem essa cultura em seus produtos, colaborações e estratégias com criadores de conteúdo. As mídias sociais, por sua vez, deixaram de ser apenas um canal de vendas para se tornarem plataformas de engajamento e influência, onde usuários e criadores movem o interesse das marcas.

O estudo também aponta para o impacto crescente da inteligência artificial no comportamento de compra: cerca de 40% dos jovens consumidores já utilizam ferramentas de IA para decidir o que comprar. Isso obriga as marcas a adotarem estratégias de presença digital inteligentes, otimizando buscas, criando conteúdos acessíveis à IA e compreendendo melhor onde a influência acontece. Segundo Iris Langlois-Meurinne, da Ralph Lauren Corp., a IA está “borrando as fronteiras entre inspiração e comércio”, tornando plataformas como TikTok, YouTube e jogos online ambientes essenciais para o contato com o público.

Por fim, o relatório destaca uma transição do conceito de fidelidade à marca para fidelidade ao produto. Jovens das Gerações Z e Alpha preferem montar seu estilo mesclando marcas tradicionais e emergentes, priorizando peças que se destaquem e reflitam sua individualidade. A designer Daniella Kallmeyer resume essa nova visão ao afirmar que o luxo moderno está em “resolver problemas reais e oferecer conforto às mulheres”, permitindo que expressem o melhor de si mesmas.

Em resumo, o conselho do relatório para as marcas é claro: sejam ágeis, abertas à colaboração com o público, engajem socialmente, deixem de lado velhos símbolos de status e usem a IA de forma estratégica. Somente assim será possível acompanhar — e sobreviver — ao ritmo imposto pelas novas gerações da moda.