O Rio de Janeiro viveu um verdadeiro cenário de guerra nesta semana. Cerca de 2.500 agentes das forças de segurança participaram de uma megaoperação contra integrantes do Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha.
O Comando Vermelho, hoje presente em 25 estados brasileiros, opera em um modelo que lembra o de franquias criminosas: cada célula local tem certa autonomia, mas mantém uma espécie de parceria comercial com o grupo principal, especialmente na compra e distribuição de armas e drogas.
Durante a ação, bandidos reagiram com violência — houve tiroteios, incêndios de barricadas e até ataques com drones carregando explosivos, cenas que pareciam saídas de um filme de ação como Tropa de Elite 2.
O balanço da operação foi trágico: 64 mortos (incluindo 4 policiais), 81 prisões — entre elas, a do braço direito do líder do CV — e 90 fuzis apreendidos. Planejada ao longo de meses, a operação já é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro.
O impacto foi sentido em toda a cidade. Escolas e universidades suspenderam aulas, comércios encerraram o expediente mais cedo por causa de saques, e as ruas ficaram desertas antes mesmo do anoitecer.
Crise também na política
O episódio reacendeu tensões entre o governo estadual e o governo federal.
O governador Cláudio Castro acusou Brasília de deixar o Rio “sozinho” no enfrentamento ao crime, afirmando que três pedidos de apoio das Forças Armadas foram negados.
Em resposta, o Ministério da Justiça declarou ter atendido a todos os 11 pedidos de renovação de apoio feitos pelo estado.
Nos bastidores, aliados do presidente Lula veem nas declarações de Castro uma tentativa de politizar o tema e transferir responsabilidades.
Enquanto isso, o governo federal deve acelerar no Congresso a votação da PEC da Segurança Pública, criticada por governadores de direita — entre eles, Castro — por centralizar o controle da segurança na União e reduzir a autonomia dos estados.
Tudo isso ocorre às vésperas de um ano eleitoral, quando o tema da segurança pública volta ao centro do debate nacional — e promete muito embate político nas próximas semanas.
