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Divergências internas marcam debate sobre Código de Ética no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem atravessado um período de tensões internas, marcado por divergências discretas entre ministros da Corte. Os conflitos vieram à tona após o cancelamento da reunião que estava prevista para a próxima quinta-feira e que trataria da discussão do novo Código de Ética do tribunal.

A suspensão do encontro foi anunciada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin. Oficialmente, a justificativa foi o adiamento para após o Carnaval. No entanto, nos bastidores, o principal motivo teria sido o risco de falta de quórum, reflexo da resistência de parte dos ministros ao conteúdo da proposta.

A iniciativa, que busca estabelecer regras mais claras de conduta para os integrantes da Corte, tem gerado desconforto interno. Durante sessão realizada na terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes afirmou haver “má-fé” nas críticas dirigidas ao STF e sustentou que a Constituição Federal e a Lei Orgânica da Magistratura já impõem limites suficientes à atuação dos magistrados.

Na mesma ocasião, o ministro Dias Toffoli reforçou esse entendimento. Embora tenha defendido a autocontenção, destacou que magistrados podem ser acionistas, proprietários rurais ou sócios de empresas, desde que não exerçam a gestão direta desses negócios.

O debate evidencia uma divisão no tribunal. Enquanto um grupo defende a necessidade de autorregulação como forma de preservar a imagem institucional do STF, outro considera a proposta excessiva e avalia que ela pode representar uma ameaça à autonomia dos ministros.

Diante do impasse, a discussão sobre os limites éticos da atuação dos integrantes da mais alta Corte do país segue sem consenso, revelando um cenário de desalinhamento interno no Supremo Tribunal Federal.