Matéria na Íntegra

Disney vive fase de contrastes no 3º trimestre: lucros em alta, receitas pressionadas e mercado desconfiado

A Disney divulgou seu balanço do terceiro trimestre mostrando que, nos bastidores da gigante do entretenimento, o clima é de altos e baixos. A empresa registrou lucro acima das expectativas, somando US$ 1,3 bilhão, mas a receita ficou aquém do previsto, fechando em US$ 22,5 bilhões. O resultado misto não agradou ao mercado: as ações da companhia chegaram a cair 8% após o anúncio.

O lado preocupante do balanço

A principal pressão vem da área de entretenimento, que apresentou queda de 6%. A temporada recente de lançamentos não empolgou o público como esperado, afetando diretamente os resultados de bilheteria e TV.

Para piorar o cenário, o YouTube TV retirou mais de 20 canais da Disney da sua plataforma — incluindo ESPN e ABC — gerando um “apagão” que tem custado cerca de US$ 30 milhões por semana à companhia. O impasse reduz a exposição das marcas e afeta a distribuição de conteúdo em um dos maiores serviços de TV por assinatura digital dos EUA.

Os pontos positivos

Apesar das dificuldades, há áreas puxando o resultado para cima. O setor de streaming surpreendeu, registrando alta de 39% no lucro operacional. O Disney+ continua firme na disputa pelo topo do mercado, alcançando 131 milhões de assinantes apenas nos EUA, impulsionado por novos usuários e ajustes de preços.

Outro destaque está na divisão de experiências, que engloba parques e cruzeiros. A receita cresceu 6%, enquanto o lucro avançou 13%, beneficiados pelo trimestre de verão no hemisfério norte — período crucial para os parques temáticos. As expectativas também são positivas para o futuro, especialmente com o novo resort da Disney previsto para Abu Dhabi.

Tentativa de reconquistar a confiança

Mesmo enfrentando turbulências tradicionais de uma empresa em transformação, a Disney tenta mostrar solidez ao mercado. A companhia anunciou aumento de dividendos e ainda confirmou que vai dobrar o plano de recompra de ações em 2026, uma estratégia para valorizar o papel e acalmar os investidores.

No fim das contas, o 3º trimestre deixa claro que a Disney vive um momento de reestruturação: encara desafios relevantes, mas também apresenta sinais fortes de recuperação em áreas estratégicas. Resta saber se esse equilíbrio será suficiente para convencer o mercado nos próximos passos.