Matéria na Íntegra

Depois de mais de dois séculos de existência, o governo dos Estados Unidos decidiu dar adeus à moeda de 1 centavo, aquela que já não compra nem bala no posto. A penny, como é chamada por lá, tem 232 anos de circulação — ou seja, é mais velha que o Brasil independente — mas agora está oficialmente saindo de cena.

Quando produzir moeda sai mais caro que usá-la

Segundo o governo americano, a moeda virou um verdadeiro prejuízo: cada penny custa cerca de 4 centavos para ser fabricada. É como se o país estivesse literalmente perdendo dinheiro para colocar dinheiro em circulação.

Trump classificou a moeda como um desperdício, e o argumento vai além do custo. Mais de 60% das pennies estão esquecidas em potes, gavetas e latas, o que representa US$ 10 bilhões parados. Virou quase decoração.

Quando o dinheiro deixa de ser… dinheiro

A decisão revela um fenômeno que nós, brasileiros, conhecemos bem: a moeda perde valor e deixa de fazer diferença no caixa. Quem nunca recebeu aqueles R$ 0,02 de troco e pensou “pode deixar”?
Com a inflação acumulada, a penny simplesmente perdeu utilidade — o suficiente para o governo decidir que não vale mais a pena mantê-la.

Para ter ideia: US$ 0,01 de 100 anos atrás valem US$ 0,18 hoje. Ou seja, a moeda não acompanhou o tempo.

E agora, acabou de vez?

Não exatamente. As 300 bilhões de moedas já produzidas continuam valendo e podem circular normalmente. O governo só não vai fabricar novas.

Mesmo assim, a mudança já está criando um efeito curioso e bem familiar para nós: alguns estabelecimentos estão cogitando arredondar preços para cima para evitar valores quebrados. Parece até comércios brasileiros antes de regularizarem o troco com aquelas balinhas estratégicas…

E se isso acontecesse no Brasil?

Imagine se o governo brasileiro decretasse o fim das moedas de 1 ou 5 centavos — aquelas que ficam no porta-luvas do carro ou dentro da gaveta de meias. Provavelmente veríamos o mesmo movimento: preços arredondados, menos moedas circulando e uma adaptação no dia a dia que, no fundo, ninguém sentiria tanto assim.

No fim das contas, o fim da penny não é só o fim de uma moeda — é um retrato de como o valor do dinheiro muda com o tempo. E disso, o brasileiro entende bem.