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Em um dia marcado por tensão política e mobilização popular, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta quinta-feira, a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. A votação ocorreu enquanto sindicatos e diversos setores da sociedade promoviam uma greve geral com manifestações nas ruas do país.

A sessão foi cercada de expectativa e incerteza. Após dificuldades para atingir o quórum necessário, o tema finalmente entrou em pauta e acabou sendo aprovado pelos deputados. Como o texto sofreu alterações e vetos em alguns artigos, a proposta retorna agora ao Senado para nova análise.

O que prevê a reforma

Com mais de 200 medidas, o projeto altera pontos centrais da legislação trabalhista argentina, que remonta à década de 1970. Entre as principais mudanças estão:

  • Jornada de até 12 horas diárias: a carga horária poderá chegar a 12h por dia, desde que haja acordo entre empresa e empregado e seja respeitado o intervalo mínimo de 12h de descanso entre jornadas.

  • Ampliação do período de experiência: o prazo passa de 3 para 6 meses, permitindo que empresas demitam novos contratados com menos encargos e multas durante esse período.

  • Salário dinâmico: cria-se a possibilidade de remuneração variável, atrelada à produtividade, substituindo o modelo tradicional de salário fixo.

O que diz a oposição

Setores ligados ao kirchnerismo, partidos de esquerda e centrais sindicais classificam a reforma como “regressiva” e “inconstitucional”. Para esses grupos, o texto:

  • Limita o direito de greve;

  • Permite o fracionamento das férias;

  • Reduz indenizações por demissões;

  • Amplia a jornada de trabalho, o que poderia comprometer o descanso dos trabalhadores.

Segundo os críticos, mesmo quando há acordo formal entre empregado e empregador, a desigualdade na relação de poder pode pressionar trabalhadores a aceitarem condições menos favoráveis.

O que diz a base governista

Já os partidos libertários, setores da direita e economistas de perfil liberal defendem que a reforma moderniza a legislação e reduz entraves ao mercado de trabalho. Para eles, a flexibilização:

  • Diminui encargos trabalhistas para empresas;

  • Estimula a formalização de empregos;

  • Aumenta a competitividade da economia;

  • Pode atrair investimentos estrangeiros.

O governo argumenta que as mudanças são necessárias para enfrentar a crise econômica e reduzir a informalidade no mercado de trabalho argentino.

Próximos passos

A expectativa é que o Senado volte a analisar o texto nos próximos dias. Caso receba novo aval, a proposta seguirá para sanção presidencial de Javier Milei, consolidando uma das principais promessas de campanha do atual governo.

Enquanto isso, o clima político no país segue polarizado, com mobilizações prometidas tanto por apoiadores quanto por opositores da medida.