Governo Trump Nega Fim do DOGE, Mas Reconhece Falta de Liderança Centralizada; Estrutura Ainda é Incerta
Autoridades do governo Trump admitiram que o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) já não funciona mais como uma organização centralizada — mas garantem que seus princípios continuam orientando ações em várias áreas da administração federal.
A declaração veio após uma reportagem da Reuters revelar que o DOGE teria sido “dissolvido”, faltando ainda oito meses para o fim do prazo estipulado pela ordem executiva assinada por Donald Trump em janeiro, responsável pela criação do departamento. O ato reestruturou o Serviço Digital dos EUA (USDS), renomeando-o para Serviço DOGE dos EUA e colocando-o sob autoridade direta do Executivo.
Governo reage e mantém discurso de continuidade
Em resposta à repercussão, o diretor do Escritório de Gestão de Pessoal (OPM), Scott Kupor, publicou nas redes sociais que, embora o DOGE já não tenha “liderança centralizada sob o @USDS”, seus princípios seguem firmes.
Entre esses princípios, Kupor destacou:
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desregulamentação,
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eliminação de fraudes, desperdício e abuso,
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reforma da força de trabalho federal,
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prioridade para eficiência e desempenho.
Segundo ele, o DOGE foi o “catalisador” das mudanças e agora caberá às agências federais, ao OPM e ao Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca (WHOMB) incorporá-las de forma permanente.
Desorganização, demissões e incerteza sobre a estrutura
Apesar das tentativas de reafirmar a sobrevivência da iniciativa, ainda existe grande confusão sobre onde o DOGE está alocado e como opera. Durante meses, o departamento promoveu cortes agressivos, motivando:
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demissões ou saídas de centenas de milhares de funcionários,
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cancelamento de contratos em andamento,
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desmantelamento de partes inteiras de algumas agências.
O impacto foi tão grande que muitos servidores relataram instabilidade e falta de clareza sobre quais órgãos estavam sendo reestruturados ou substituídos.
Essa falta de transparência não é nova. Desde sua criação, o DOGE funcionou de forma opaca, dificultando a compreensão sobre:
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seu funcionamento interno,
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a identidade dos responsáveis pelas decisões,
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e até mesmo quem liderava o departamento.
A figura pública mais associada ao DOGE foi seu idealizador, o bilionário Elon Musk, que chegou a usar uma motosserra em uma convenção política para simbolizar os cortes agressivos de custos que defendia. Ainda assim, a Casa Branca demorou mais de um mês após a criação da iniciativa para divulgar quem era o líder efetivo — identificando Amy Gleason como administradora interina apenas em fevereiro.
USDS diz que ordem executiva ainda está em vigor
O Serviço DOGE dos EUA (ainda identificado como USDS em algumas comunicações) publicou no LinkedIn que a ordem executiva assinada por Trump permanece ativa. No texto, o departamento afirma que segue colaborando com outras agências para modernizar a tecnologia federal e aumentar produtividade.
A publicação foi compartilhada pela própria Amy Gleason, que hoje também atua como consultora estratégica dos Centros de Serviços de Medicare e Medicaid.
No entanto, o governo não esclareceu qual é, hoje, a estrutura organizacional do DOGE, quem exerce a liderança formal ou se o departamento ainda opera como uma unidade independente dentro da administração federal.
Um porta-voz do OPM não respondeu aos pedidos de esclarecimento. Já Gleason encaminhou questionamentos de volta ao comunicado oficial — que, por si só, não resolve as dúvidas mais profundas sobre o status da iniciativa.
O futuro do DOGE permanece nebuloso
Mesmo com as afirmações do governo sobre a permanência dos “princípios” do DOGE, a falta de liderança clara, a ausência de uma estrutura formal e meses de decisões abruptas deixaram o departamento envolto em incertezas.
Enquanto isso, especialistas e servidores públicos se questionam se o DOGE ainda existe como órgão, se foi absorvido por outras estruturas ou se está operando apenas como um conjunto de diretrizes informais.
O fato é que, apesar do discurso de continuidade, a iniciativa que prometia revolucionar a eficiência do governo americano enfrenta hoje seu maior desafio: provar que, além de seus princípios, ainda há um departamento funcionando na prática.
