Comprar celulares, notebooks e videogames deve pesar mais no bolso nos próximos meses — e o motivo vai além da inflação. A nova pressão vem de um item que o consumidor não vê, mas que é fundamental para qualquer eletrônico: os chips de memória.
Nos últimos 12 meses, os valores das memórias DRAM — responsáveis por executar aplicativos e garantir desempenho — e das memórias NAND — que armazenam fotos, vídeos e arquivos — dispararam, chegando a aumentar cerca de sete vezes. O principal fator por trás dessa alta é a corrida global por inteligência artificial.
Data centers utilizados para treinar e operar sistemas de IA estão consumindo volumes gigantescos de memória, o que reduz a oferta disponível para fabricantes de computadores, smartphones e consoles. Como essas memórias podem representar até 30% do custo de produção de um computador, o reflexo nos preços finais já começou.
A Dell reajustou notebooks em até 30%.
A Xiaomi elevou o valor de smartphones e retirou versões mais acessíveis do mercado.
A Lenovo classificou o cenário como uma alta “sem precedentes”, alertando que isso pode esfriar a demanda por PCs e celulares.
Até empresas como Apple e Samsung — que costumam adquirir componentes com antecedência — já reconhecem que a pressão deve aumentar ao longo de 2026 e pode se estender por pelo menos mais três anos.
