Matéria na Íntegra

Dívida pública brasileira deve atingir 91,4% do PIB em 2025, diz FMI

 

De acordo com o mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública do Brasil deve saltar de 87,3% do PIB em 2024 para 91,4% neste ano, podendo chegar a 98% até 2030.

Mas o que isso realmente significa?
Ter dívida não é, por si só, um problema — praticamente todos os governos do mundo possuem alguma. A preocupação surge quando o ritmo de crescimento da dívida supera a capacidade de geração de riqueza do país.

Para entender melhor: se o Brasil produz R$ 10 trilhões em um ano, o governo deve R$ 9,1 trilhões. Esse desequilíbrio pressiona a economia em três pontos principais:

  1. Juros altos: quanto maior o endividamento, mais caro fica tomar novos empréstimos. Hoje, os gastos com juros já superam os investimentos em saúde e educação somados;

  2. Perda de confiança: investidores tendem a retirar recursos do país, o que pressiona o dólar e eleva a inflação;

  3. Menos investimento e menor arrecadação: com mais recursos destinados ao pagamento da dívida, sobra menos dinheiro para infraestrutura e estímulo ao crescimento.

Entre as economias emergentes, o Brasil figura entre os países mais endividados — atrás apenas do Bahrein (142%), Ucrânia (108%) e China (96%).

Vale lembrar que o FMI adota uma metodologia diferente da usada pelo governo brasileiro, que não contabiliza determinados títulos do Tesouro Nacional. Segundo dados oficiais, a dívida bruta estava em 77,5% do PIB em agosto.