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Produtores rurais do Hemisfério Norte entram agora no período decisivo da primavera, fase em que as atividades no campo se intensificam e exigem ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, no Hemisfério Sul, agricultores concentram esforços na colheita das safras antes da chegada do inverno.

Esse cenário, porém, acontece em meio a um contexto preocupante: o conflito envolvendo o Irã tem provocado fortes impactos no abastecimento de fertilizantes, insumos fundamentais para a produção agrícola. A escassez já pressiona os preços para níveis elevados e acende um alerta global sobre possíveis riscos à segurança alimentar.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente um terço de todo o fertilizante comercializado por via marítima no mundo passa pelo Estreito de Ormuz.

Essa importante rota marítima, localizada ao sul do território iraniano, vem sendo duramente afetada desde o início do conflito. O fluxo de embarcações praticamente foi interrompido, e diversos navios acabaram sendo atingidos por ataques dentro ou nas proximidades da região.

Impactos no Brasil

No Brasil, os reflexos já começam a aparecer e tendem a se intensificar nos próximos meses. O país depende fortemente da importação de fertilizantes — cerca de 85% dos insumos utilizados no agronegócio vêm do exterior — o que o torna altamente vulnerável a crises internacionais como essa.

Com a guerra afetando diretamente a produção e o transporte desses produtos, os preços dispararam no mercado global. A ureia, por exemplo, já registrou aumentos expressivos nas últimas semanas, pressionando os custos de produção no campo.

Especialistas alertam que isso pode gerar uma série de efeitos em cadeia no país:

  • aumento no custo de produção de culturas como soja e milho;
  • possível redução no uso de fertilizantes pelos produtores;
  • queda de produtividade nas próximas safras;
  • encarecimento dos alimentos para o consumidor final. Além disso, há risco de escassez de insumos caso o conflito se prolongue, o que pode afetar diretamente o planejamento da safra 2026/2027. Diante desse cenário, o governo brasileiro já busca alternativas logísticas para reduzir os impactos, como novas rotas comerciais para contornar o bloqueio no Estreito de Ormuz.

Em resumo, embora o impacto imediato ainda esteja sendo absorvido, a tendência é que o Brasil sinta de forma mais forte os efeitos nos próximos ciclos agrícolas — com pressão sobre custos, produção e preços dos alimentos.