O setor automotivo brasileiro pode enfrentar uma paralisação nas próximas semanas, e a causa vem de uma tensão geopolítica internacional a milhares de quilômetros de distância.
O impasse começou quando o governo da Holanda decidiu assumir o controle da filial local da Nexperia, alegando motivos de segurança nacional. A empresa, uma das maiores fabricantes de semicondutores do planeta, pertence a um grupo chinês que domina cerca de 40% do mercado global de chips.
Em resposta, a China impôs restrições à exportação de componentes eletrônicos, interrompendo o fornecimento de peças essenciais para montadoras de veículos em todo o mundo.
E o impacto disso é direto: quase tudo em um carro moderno depende de chips. Sistemas de iluminação, sensores de segurança, central multimídia e até o controle do motor são baseados em semicondutores — um veículo atual pode conter entre mil e três mil chips.
Como o Brasil importa praticamente todos os semicondutores que utiliza, o setor já acende o alerta. A indústria automotiva brasileira, nona maior do mundo, corre o risco de não atingir a meta de produção de 2,75 milhões de veículos em 2025, caso o fornecimento continue comprometido.
