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Interpol lança operação global contra o desmatamento ilegal — Amazônia está entre as prioridades

 

A iniciativa mira redes criminosas que exploram florestas tropicais e promete fortalecer a cooperação entre países, com destaque para o Brasil.

Em 5 de novembro de 2025, a Interpol anunciou o início de uma operação global contra o desmatamento ilegal, marcando um novo capítulo na resposta internacional ao crime ambiental. A ação tem como alvo redes criminosas transnacionais envolvidas em extração ilegal de madeira, grilagem de terras e destruição de florestas, com foco especial em regiões tropicais como a Amazônia brasileira, a Bacia do Congo e o Sudeste Asiático.

O Secretário-Geral da Interpol, Jürgen Stock, destacou que o desmatamento ilegal não é apenas uma questão ambiental, mas um crime organizado de alto impacto, que alimenta a corrupção, financia outras atividades ilícitas e ameaça comunidades tradicionais. Segundo ele, a operação integrará ações coordenadas entre países, compartilhamento de informações de inteligência e apoio forense especializado para rastrear redes criminosas e fluxos de madeira ilegal em escala global.

O anúncio ocorre em meio a um cenário de repressão crescente no Brasil, onde forças federais têm realizado grandes operações na Amazônia. Em 2025, por exemplo, centenas de dragas ilegais foram destruídas nos rios Madeira e Tapajós, e áreas de grilagem em terras indígenas foram desocupadas em estados como Pará, Amazonas e Roraima. Esses esforços nacionais devem ser integrados à nova estrutura de cooperação internacional da Interpol.

A operação também reforça a proteção das comunidades indígenas e ribeirinhas, frequentemente ameaçadas por madeireiros e garimpeiros ilegais. O plano prevê apoio jurídico e técnico para que os países participantes fortaleçam suas legislações ambientais e julguem crimes ambientais com o mesmo rigor aplicado ao tráfico de drogas e ao contrabando internacional.

Para especialistas, a iniciativa representa um avanço na geopolítica ambiental, ao reconhecer que a degradação das florestas está diretamente ligada a problemas de segurança e governança global. Ao se posicionar como um centro coordenador da luta contra o desmatamento ilegal, a Interpol busca elevar o combate aos crimes ambientais ao nível das ameaças estratégicas mundiais.