Matéria na Íntegra

O uso de inteligência artificial (IA) para criar fotos de comida em aplicativos de delivery como iFood e 99Food está dando o que falar. Imagens super-realistas, geradas por ferramentas como ChatGPT e Gemini, estão deixando muita gente desconfiada — e levantando alertas sobre publicidade enganosa.

Usuários nas redes sociais, principalmente no X (antigo Twitter), têm mostrado exemplos de cardápios com pratos que nem existem, ou até as mesmas fotos aparecendo em restaurantes diferentes. O resultado? Um prato cheio de polêmica sobre transparência e ética no uso da IA.

Segundo João Finamor, professor de marketing digital da ESPM, o visual atrativo sempre foi parte da publicidade, mas o problema está no exagero e na falta de honestidade. Ele alerta que a IA pode ser útil para pequenos retoques — como corrigir iluminação —, mas não deve criar pratos do zero.

A consumidora Fernanda Nigri, por exemplo, evita restaurantes que usam fotos artificiais. Para ela, isso afasta o cliente da realidade e quebra a confiança. O gerente de projetos Guilherme Thomaz concorda, dizendo que imagens geradas por IA raramente refletem o produto real, e já notou diversos restaurantes usando as mesmas fotos genéricas.

Mesmo sem uma lei específica sobre o tema, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) pode ser aplicado nesses casos. O advogado João Eberhardt Francisco, professor da Universidade Mackenzie, explica que o Artigo 31 exige informações claras e verdadeiras sobre o produto, e o Artigo 37 proíbe publicidade enganosa.