Matéria na Íntegra

Pesquisadores publicaram um alerta no periódico médico Post Reproductive Health sobre o que chamam de uma “corrida do ouro da menopausa” — um fenômeno que estaria deixando mulheres vulneráveis à exploração comercial, à desinformação e ao bombardeio de publicidade. Segundo o estudo, o movimento é amplamente impulsionado pelas redes sociais; uma das entrevistadas chegou a afirmar que todo o seu conhecimento sobre o tema veio do Instagram.

Os autores apontam o crescimento acelerado de empresas privadas e influenciadores, em grande parte sem regulamentação, que lucram oferecendo informações e “soluções” para os sintomas da menopausa. Essa mercantilização, chamada pelos pesquisadores de meno marketing, reflete um modelo agressivo de consumo voltado às mulheres, com a promoção de produtos como suplementos de maca peruana, cogumelo juba de leão, colágeno, vitaminas e outros itens supostamente voltados ao bem-estar feminino.

Até mesmo produtos comuns, como protetores labiais, estão sendo vendidos sob o pretexto de “cuidados com a menopausa”, o que evidencia a amplitude — e muitas vezes a falta de critério — dessa estratégia de marketing. O artigo ressalta que cerca de 13 milhões de mulheres no Reino Unido estão nessa fase da vida, com experiências muito diferentes entre si: algumas sem sintomas significativos, outras com quadros severos — e uma em cada dez relatando pensamentos suicidas.

Diante dessa diversidade, os pesquisadores questionam como um mesmo conjunto de produtos pode atender igualmente a todas as mulheres. O marketing automatizado, orientado por algoritmos, ignora essa complexidade e se aproveita da falta de informação pública sobre sintomas e tratamentos, como a terapia de reposição hormonal (TRH).

A escritora Viv Groskop, citada no estudo, observa que algo tão simples quanto um batom pode ter um efeito positivo sobre o humor tão relevante quanto um placebo médico — e, muitas vezes, com mais acessibilidade e segurança do que produtos duvidosos vendidos como “cura”.

Os autores defendem uma visão mais equilibrada da menopausa: nem transformá-la em um nicho comercial sem freios, nem continuar tratando-a como tabu. Apesar da popularização do tema em podcasts e redes sociais, o entendimento real sobre o corpo feminino e os tratamentos adequados não avançou tanto quanto se imagina.

Em resumo, o artigo critica o modelo atual, no qual soluções superficiais e caras são vendidas como se fossem respostas definitivas. Assim como as pás da corrida do ouro do século XIX, os produtos do meno marketing beneficiam mais quem os vende do que quem os consome. O estudo conclui que o caminho mais eficaz é investir em campanhas de informação sólidas e confiáveis — que realmente empoderem as mulheres, em vez de explorá-las.