Um estudo japonês publicado em 2025 na revista científica Nutrients sugere que comer queijo pelo menos uma vez por semana pode estar associado a um menor risco de desenvolver demência em pessoas idosas.
A pesquisa, intitulada “Cheese Consumption and Incidence of Dementia in Community-Dwelling Older Japanese Adults: The JAGES 2019–2022 Cohort Study”, acompanhou 10.180 adultos com 65 anos ou mais durante três anos, entre 2019 e 2022. Após análises estatísticas, 7.914 participantes foram incluídos na amostra final — metade deles consumidores semanais de queijo e a outra metade não consumidores.
Os resultados mostraram que 3,4% dos consumidores desenvolveram demência, em comparação com 4,5% dos que não consumiam queijo. Essa diferença representa uma redução de 1,06 ponto percentual no risco absoluto ao longo do período de acompanhamento.
Com base no modelo de riscos proporcionais de Cox, os pesquisadores calcularam que o consumo semanal de queijo esteve associado a um risco 24% menor de demência. Após ajustes para outros hábitos alimentares — como ingestão de frutas, verduras, carnes e peixes — a redução manteve-se significativa, em torno de 21%.
Os autores do estudo destacam que o queijo contém compostos bioativos, como vitamina K₂, peptídeos e probióticos, que podem favorecer a proteção cerebral por meio de efeitos anti-inflamatórios e metabólicos. No entanto, a maioria dos participantes relatou consumir queijo processado, que possui teores menores dessas substâncias benéficas.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltam que os dados devem ser interpretados com cautela. O estudo avaliou o consumo de queijo apenas no início do período de acompanhamento, e o diagnóstico de demência foi feito com base em registros administrativos, e não em avaliações clínicas diretas.
Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que os achados são relevantes para a saúde pública. “A ingestão habitual de queijo, ainda que uma vez por semana, pode contribuir para a preservação da função cognitiva e para a redução do risco de demência em idosos”, concluíram.
Eles recomendam que novas pesquisas sejam conduzidas para identificar quais tipos e quantidades de queijo trazem maior benefício, além de investigar os mecanismos biológicos por trás da relação entre o alimento e a saúde do cérebro.
