Matéria na Íntegra

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria atuado como assessor e consultor do Grupo Fictor — empresa que anunciou a aquisição do banco Master pouco antes de o Banco Central do Brasil decretar a liquidação da instituição.

A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, com base em relatos de duas pessoas que trabalharam na companhia. Segundo essas fontes, Lulinha evitava exposição, chegando a limitar visitas aos escritórios, embora tenha sido visto no local ao longo do último ano.

O pano de fundo: operação da Polícia Federal

Na quarta-feira, executivos ligados ao Grupo Fictor — incluindo o CEO e um ex-sócio — foram alvos de uma operação da Polícia Federal do Brasil. A investigação apura suspeitas de fraudes bancárias que podem ultrapassar R$ 500 milhões, envolvendo a Caixa Econômica Federal.

De acordo com as apurações, mensagens indicam que integrantes da empresa solicitavam movimentações financeiras por meio de companhias de fachada associadas a um operador conhecido como “Ralado”, apontado como responsável por um núcleo financeiro ligado ao Comando Vermelho.

Onde entra Lulinha

Ainda segundo as fontes, Lulinha teria sido contratado como consultor com o objetivo de facilitar conexões entre o grupo empresarial e o governo federal. Essa atuação teria contribuído para que o ex-sócio da empresa, Luiz Rubini, ampliasse sua presença em Brasília.

Entre os acessos mencionados estão um convite para integrar o chamado “Conselhão” — grupo consultivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e a participação no Grupo Parlamentar de Relacionamento com o Brics no Senado.

A versão da defesa

O advogado de Lulinha confirmou que seu cliente conhece Luiz Rubini, mas negou qualquer vínculo profissional com o Grupo Fictor ou prestação de serviços à empresa. Também destacou que Lulinha reside na Espanha desde 2024.