Estudos apontam queda no QI da Geração Z e levantam debate sobre impacto da tecnologia
Durante décadas, pesquisadores observaram o chamado Efeito Flynn, fenômeno segundo o qual cada nova geração apresentava níveis mais altos de inteligência em comparação à anterior. No entanto, esse padrão histórico parece ter sido interrompido.
Dados recentes indicam que, pela primeira vez na história moderna, a Geração Z — formada por pessoas nascidas entre 1997 e 2010 — apresenta pontuações médias de QI inferiores às registradas entre os Millennials. O fenômeno não se restringe a um único país: trata-se de uma tendência observada em mais de 80 nações.
Especialistas apontam que o início desse declínio coincide com o período em que smartphones, tablets e outras tecnologias digitais passaram a ser amplamente incorporados ao cotidiano escolar, por volta de 2010. Desde então, mudanças significativas no comportamento cognitivo vêm sendo registradas, especialmente no que diz respeito à capacidade de atenção e leitura.
Uma das transformações mais evidentes ocorre nos testes de compreensão textual. Avaliações que antes utilizavam textos com cerca de 750 palavras passaram a adotar trechos de apenas 75 palavras, como forma de se adaptar à menor capacidade de concentração dos estudantes mais jovens.
Pesquisas também indicam que o uso excessivo de tecnologia no ambiente educacional pode estar associado a um desempenho acadêmico inferior. Crianças que utilizaram computadores por cerca de cinco horas diárias exclusivamente para estudos obtiveram resultados mais baixos do que aquelas que raramente ou nunca recorreram a esses recursos em sala de aula.
O cenário chama atenção por um paradoxo: a geração com maior acesso à informação na história é, ao mesmo tempo, a que apresenta sinais de queda nos indicadores tradicionais de inteligência. Para especialistas, a dependência crescente de ferramentas digitais, da internet e de sistemas de inteligência artificial pode reduzir o estímulo ao raciocínio crítico e à autonomia intelectual.
O debate segue aberto entre educadores e pesquisadores, que discutem como equilibrar o uso da tecnologia com métodos de ensino capazes de preservar e desenvolver habilidades cognitivas essenciais para o futuro das próximas gerações.
