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Prisão Preventiva de Bolsonaro Marca o Início de um Fim de Semana Tenso no Cenário Político

O fim de semana começou com uma reviravolta explosiva na política brasileira. No primeiro instante de sábado, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, causando impacto imediato.

Segundo Moraes, dois motivos cruciais sustentaram a decisão:

  1. Danos à tornozeleira eletrônica – Na madrugada, o equipamento disparou alertas. Agentes da Polícia Federal registraram imagens do aparelho destruído, e no vídeo captado, Bolsonaro admite ter utilizado um ferro de solda para mexer na tornozeleira.

  2. Vigília convocada por Flávio Bolsonaro – O ato político em frente ao condomínio do ex-presidente, segundo Moraes, gerava risco de aglomeração, ameaça física e remetia à lógica das mobilizações digitais que caracterizaram os protestos antidemocráticos de 2022.

Em sua defesa, Bolsonaro afirmou que sofreu um “surto” por causa de medicamentos — mencionou o uso de pregabalina e sertralina —, negou ter tentado fugir e alegou que manipulara o dispositivo por paranoia e falta de sono.

Na audiência de custódia realizada no domingo, a prisão foi mantida. Bolsonaro segue detido em uma cela na superintendência da Polícia Federal.


Reações Políticas

Aliados
Os apoiadores do ex-presidente reagiram de formas distintas.

  • Flávio Bolsonaro e parte da bancada parlamentar classificaram a prisão como uma “perseguição religiosa”.

  • O pastor Silas Malafaia, figura próxima a Bolsonaro, chamou a decisão de “cortina de fumaça”, sugerindo que serviria para desviar atenções de denúncias ligadas ao Banco Master, que tem conexão com a esposa de Moraes.

  • Outros parlamentares criticaram o critério de prisão preventiva, apontando que o ministro Moraes não adotou a mesma postura em casos similares, como aconteceu com o ex-presidente Collor, que teria ficado 36 horas com a tornozeleira eletrônica desligada sem ser preso.

Opositores
De outro lado, políticos de esquerda celebraram a decisão com memes nas redes sociais e manifestações em diversas cidades.

  • Militantes do PT têm sido instados por mensagens em grupos direcionados a influenciadores para focar nos “diversos crimes” atribuídos a Bolsonaro, relembrando sua gestão durante a pandemia ou medidas polêmicas.

  • Já o presidente Lula afirmou que a Justiça tomou sua decisão e que “todo mundo sabe o que ele fez”, evitando entrar em muitos detalhes.


E Agora?

Nesta segunda-feira, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir se mantém ou revoga a prisão preventiva de Bolsonaro.
Simultaneamente, o ex-presidente e seus aliados têm até o final do dia para apresentar os últimos recursos contra a condenação relacionada à chamada “trama golpista”.

Com pena superior a 27 anos, caso todos os recursos sejam rejeitados, Bolsonaro poderá começar a cumprir regime fechado imediatamente após a prisão preventiva.